A vida são dois dias...
e passamo-los a tentar descobrir como os deveríamos ter passado.
Padecemos da doença da incompreensão...
o nosso ser é uma dúvida eterna,
que vagueia no limiar da incerteza.
Somos seres intermédios,
a meio caminho da sabedoria mas a um passo da perdição...
amaldiçoamos as nossas próprias questões,
mas elas são tudo o que nos resta...
embora não queiramos admitir,
a nossa vida não é nossa...
o seu dono é o desejo, mas a ira atenua-lhe o efeito...
queremos sempre mais do que recebemos,
e isso dita-nos o destino...
pois recebemos muito menos do que queremos.
Amamos o ódio e odiámos o amor,
somos repetições monótonas de um passado penoso...
antónimos e sinónimos ao mesmo tempo,
utilizando a adjectivação como esconderijo.
O significado da nossa vida é a morte...
mas até dela temos medo...
não vale a pena tentar perceber,
pois a incompreensão não se compreende.
E assim vivemos...num vórtex eterno...
a vida são dois dias...
que passamos sem realmente ter passado.
Ricardo Costa, O Caçador de Sonhos
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