quarta-feira, 4 de agosto de 2010

As esplanadas não têm nome

As esplanadas não têm nome
e os navios,
passam sem olhar
em busca da frescura e café
de paragens desconhecidas.

As cadeiras
são como árvores sem sombra,
e mesmo na sombra,
as mesas não passam de jangadas
em pau seco,
rolando as areias nos dedos
cada uma valendo um sonho
ou outro dinheiro qualquer.

As esplanadas não têm nome,
não são ruas
não são pessoas,
e os aviões não mais são que escravos,
em trânsito lento,
sentindo em ambos os sentidos.

As esplanadas não têm nome
e, nas noites quentes de Verão,
os candeeiros acesos
são os diálogos perdidos dos guerreiros de Tróia,
silenciosos
e com medo da alvorada assassina de prazeres!

As estrelas no céu
são os presságios de morte,
estreitos raios de luz enfadonhos
e cegos de uma visão do futuro.

A morte é trazida nas bandejas cheias,
em fumos,
bebidas e comprimidos.

O novo dia começa
e ninguém sabe quem é cúmplice da culpa,
sendo o sem-abrigo alvo ideal.

As esplanadas não têm nome,
que sorte...

Muitos morrem sem saber quem os matou!

Ricardo Costa

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